Minha vida mudou muito nos últimos anos. Eu mudei muito nos últimos anos. Mudei sem oferecer a menor resistência. Mudei sem me surpreender com as mudanças. Elas simplesmente apareceram, aconteceram, me invadiram e se instalaram. Então, eu finalmente me senti em casa dentro de mim mesma. E hoje, mais do que nunca, sinto que não devo nada para ninguém. A gente demora demais para se livrar de pesos e culpas. Mas um dia, finalmente, a gente acorda. E descobre que tem uma vida inteirinha pela frente.

Clarissa Corrêa     (via univerbos)

(via univerbos)

Estou bem, só que não tenho apetite. […] Meus nervos costumam me dominar, especialmente aos domingos; é quando me sinto péssima. A atmosfera é sufocante e pesada como chumbo. Lá fora não se ouve um pássaro, e um silêncio mortal e opressivo paira sobre a casa e se gruda em mim, como se fosse me arrastar para as regiões mais profundas dos abismos subterrâneos. Em tempos assim, papai, mamãe e Margot não têm a menor importância para mim. Ando de cômodo em cômodo, subo e desço escadas e me sinto um pássaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola. “Me deixem sair para onde existem ar puro e risos!”, grita uma voz dentro de mim. Nem mesmo me incomodo mais em responder, só fico deitada no divã. O sono faz o silêncio e o medo terrível irem embora mais depressa, ajuda a passar o tempo, já que é impossível matá-lo.

O Diário de Anne Frank  (via d-espreparado)

(via llove-in-the-afternoon)

Quase não dá pra suportar, mas dá. Eu nem choro porque é daquelas tristezas que o choro sai em berros e eu ainda estou na casa da minha mãe, não posso berrar assim, do nada. E nem resolveria. Nada resolve. Triste. Só isso. Ninguém vai morrer e nem eu.

Tati Bernardi  (via n-o-v-o-h-e-r-o-i)

(via llove-in-the-afternoon)

E a nossa tão ousada diferença? Enquanto você se faz poesia, eu me faço prosa. Você organizada em versos e estrofes, eu em parágrafos. Suas rimas cantarolando ao vento, já meus períodos friamente calculosos para a conclusão. Você solta, eu preso. Você atraindo fabulosos leitores, eu sendo usado para exemplos. Você calorosa, eu frio. E o que temos de iguais? Ah, adoramos as palavras e como elas se entrelaçam e formam nossos ousados enredos.

Carlos Neto. (via univerbos)

(via univerbos)